É tortilla espanhola. Mas pode chamar de omelete com batatas

FOTO: Bella RaKo/Pixabay

Na Espanha, a simples mistura de ovos com um tubérculo originário do Novo Mundo e que foi levado pelos conquistadores para a Europa no século 16, resultou num dos pratos mais populares da culinária local: a tortilla de batatas. Presente tanto no cardápio dos bares de tapas, que servem bebidas e petiscos, como no menu de restaurantes tradicionais – incluindo os estrelados -, a “pequena torta” nada mais é do que uma versão do bom e velho omelete. Daí o fato de, por lá, também ser chamada de “tortilla espanhola” como forma de diferenciá-la da “tortilla francesa”, que é como os espanhóis batizaram o tradicional omelete, mais fino e leve.

Não há consenso sobre a origem do prato. Porém, historiadores consideram que o primeiro documento sobre a existência da tortilla seja o Memorial de la Ratonera. Datado de 1817 e de autor anônimo, o texto relata à corte de Navarra as péssimas condições de vida dos moradores da região em comparação com os habitantes de Pamplona, por exemplo. Entre outras coisas, registra os hábitos alimentares da população mais humilde. De acordo com o Memorial, as mulheres dali preparavam uma “tortilla grande e gorda”, para cinco ou seis pessoas, “com poucos ovos, misturando batatas, pedaços de pão ou outras coisas”.

De acordo com o site oficial do órgão de turismo da Espanha (www.spain.info), para fazer uma tortilla à moda da região de Madri, que serve quatro pessoas, são necessários quatro batatas médias, quatro ou cinco ovos, uma cebola média, um quarto de litro de azeite e sal a gosto. Depois de lavadas e descascadas, cortar as batatas (secas) em rodelas finas e cozidas no azeite em temperatura média, em uma frigideira redonda alta. Deve-se, então, acrescentar a cebola picada para que cozinhe lentamente com as batatas até começar a dourar. Nesse momento, desligar o fogo e escorrer os ingredientes, sem descartar todo o azeite.

Fatias de tortilla servidas com maionese em restaurante de Córdoba, na Espanha (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Em seguida, bater os ovos com sal numa tigela, acrescentar as batatas e cebolas e levar a mistura à mesma frigideira com um pouco do azeite utilizado na fritura. Tampar e deixar cozinhar em fogo lento por cinco a dez minutos, até que a parte de baixo fique dourada. Virar a tortilla com a ajuda da tampa e deixar cozinhar até que ambos os lados fiquem bem dourados. Pode ser consumida quente ou fria. Nos bares, as fatias saem direto da estufa para o prato servido no balcão. Também podem servir de recheio de sanduichinhos (os famosos “bocaditos”). Dependendo do local, a tortilla vem acompanhada de maionese ou algum tipo de molho.

A versão tradicional sem dúvida é a mais popular, mas como a gastronomia está sempre em movimento, há variações regionais que utilizam ingredientes como pimentão, aspargo, cogumelo, feijão, chouriço, filhote de enguia e caracóis (escargots para os franceses), entre outros. Dizem que em Valência até mesmo os restos da paella vão parar na mistura da tortilla. E, num reflexo dos tempos em que vivemos, há até mesmo uma versão vegetariana da receita, na qual uma mistura de água e farinha substitui os ovos – se essa receita funciona, tenho que experimentar para dizer. Mas, o que afirmo com certeza é que não dá para viajar à Espanha e deixar de comer uma boa tortilla de batatas. De preferência acompanhada por uma cerveja gelada ou um copo de vinho.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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