Capitã Marvel e a difícil tarefa de ser um filme de origem

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTO: Divulgação

O primeiro filme solo da Capitã Marvel chegou carregando bastante responsabilidade: apresentar de maneira coerente uma das poucas figuras heroicas do universo Marvel que pode enfrentar Thanos e reverter o efeito do famigerado estalar de dedos que varreu metade da população da Terra em Vingadores: Guerra Infinita (2018).

Não é tarefa fácil ser filme de origem numa fase tão avançada do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). Ambientado no início da década de 1990, Capitã Marvel conta quem foi a piloto americana Carol Danvers (Brie Larson) e como ela chegou a se tornar a poderosa Vers, treinada por Yon-Rogg (Jude Law) para servir aos krees, raça alienígena com forte treino militar e avançada tecnologia, e exterminar os krulls, raça de shapeshfiters com os quais os krees estão em guerra há muito tempo.

Brie Larson em cena de Capitã Marvel (CRÉDITO: Divulgação)

 

Após uma sucessão de filmes bem ousados na sua cinematografia, como Pantera Negra e a saga dos Vingadores, Capitã Marvel parece até contido ou mesmo deslocado. Em retrospecto, a produção se assemelha bastante aos longas da primeira fase do MCU, aos primeiros Homem de Ferro, Thor e Capitão América. Há até um sentimento de nostalgia para quem acompanha os filmes da Marvel Studios desde o início, em 2008.

Mas, no geral, entende-se por que o filme é como é. Serve mais para conectar algumas pontas soltas do MCU do que realmente para causar impacto. Dá as informações para o espectador entender a razão de a S.H.I.E.L.D. ser o que é agora e porque os próprios Vingadores existem, ao acompanharmos as aventuras da heroína com Nick Fury (Samuel L. Jackson, brilhantemente rejuvenescido por CGI), em começo de carreira e com os dois olhos intactos (na maior parte do tempo!). E também entendemos, ao final do filme, por que a heroína esteve ausente por tanto tempo.

E já que houve tanta polêmica em torno do assunto, não dá para deixar de falar sobre representatividade quando o filme em questão apresenta a primeira protagonista feminina do MCU. Nesse quesito, Capitã Marvel vai realmente enraivecer (mais) os machos alfa de plantão, pois ela é bem-humorada, cheia de autoestima, debochada e seus poderes são totalmente fodásticos. Sim, há redenção e dúvida nos momentos adequados, mas de modo geral, não existe remorso de sua parte por ser quem foi e quem se tornou. Sua figura determinada certamente irá inspirar muitas garotinhas por aí.

Preparando de maneira clara o terreno para Vingadores: Ultimato, Capitã Marvel chegou de maneira até tranquila, mas acenando com bastante tensão o que pode vir por aí (fique para a cena durante os créditos). Felizmente não precisaremos esperar por muito tempo para saber (a estreia de Ultimato está prevista para 25 de Abril aqui no Brasil).

Ah, além da costumeira aparição de Stan Lee durante o filme, logo no início há uma homenagem linda ao querido e saudoso Excelsior. Certamente ele estaria orgulhoso de suas criações (Stan Lee morreu em 12 de Novembro de 2018).

FICHA TÉCNICA

Capitã Marvel
Título original: Captain Marvel
Nacionalidade/Ano: EUA, 2019
Estúdio: Disney/Marvel
Duração: 124 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

BÔNUS

Assista ao trailer de Vingadores: Ultimato

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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