Museu no interior paulista conta a história de jornada pelas Américas

FOTO: Fort T 1918 utilizado na viagem/ CRÉDITO: Divulgação

Localizado na pequena cidade de Bariri, no interior paulista, o Museu Mário Fava conta a história de uma jornada fantástica pouco conhecida pelos brasileiros: a viagem de 27.631 quilômetros empreendida por Mário Fava, um mecânico natural de Bariri, em companhia de Francisco Lopes da Cruz, idealizador da expedição, e de Leônidas Borges de Oliveira com o objetivo de mapear a Estrada Pan-Americana, que interliga as Américas.

Essa viagem heroica até para os padrões atuais durou dez anos, entre 1928 e 1938. A bordo de um Ford T 1918 e de uma caminhonete Ford ano 1925, os três percorreram 15 países. O ponto de partida foi o Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil, com destino aos Estados Unidos. Na chegada, eles foram reconhecidos e recebidos com honras na Casa Branca pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e pelo empresário Henry Ford.

Foto dos três desbravadores (CRÉDITO: Divulgação)

 

O acervo que documenta essa jornada, e que inclui o Ford T restaurado, fotos dos desbravadores, jornais da época e mapas de viagem, está reunido no Museu Mário Fava, que foi aberto ao público em 21 de Julho de 2018. “O objetivo do museu é reunir essa história de pioneirismo e mostrar ao visitante parte dos desafios enfrentados pelo trio há mais de 80 anos”, conta o curador e um dos fundadores do Museu, José Augusto Barboza Cava.

Segundo ele, essa aventura coincidiu com a popularização do automóvel no Brasil e, consequentemente, com a necessidade de abrir novas estradas e mapear outras existentes em nome do progresso. De acordo com o curador, a viagem foi organizada por Leônidas Borges de Oliveira, que recebeu do então presidente Washington Luís um documento que dava fé e apoio do governo brasileiro à empreitada.

Esse registro também contribuiu para que os viajantes pudessem angariar apoio no custeio da viagem nos países por onde passavam, conforme a viagem fosse avançando.” (José Augusto Barboza Cava, sobre o documento do governo brasileiro)

EM TEMPO

  • O Ford T fabricado em 1918 e montado em 1919, um dos veículos utilizados na viagem, foi doado pelo jornal carioca O Globo. Já a caminhonete Ford, fabricada em 1925, foi doação do Jornal do Comércio de São Paulo. Empolgado com o feito dos brasileiros, Henry Ford, fundador da montadora que tem seu sobrenome, tentou comprar os veículos. A oferta foi recusada pelo trio, que considerou que os carros pertenciam aos brasileiros e deveriam retornar ao Brasil. Ao voltar ao País, os três aventureiros foram recebidos pelo então presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
  • O Ford T foi doado ao Museu do Ipiranga após a viagem e, depois, foi entregue ao Museu do Gaetano Ferolla, que conta a história do transporte público da Capital do Estado. Desde 2009, Bariri tentava reaver o veículo e só em Janeiro de 2018 o Ford T chegou ao município. Para ser instalado dentro do museu, o carro precisou ser desmontado e montado em definitivo no salão principal. O outro veículo da expedição se perdeu no tempo depois de ser abandonado em um terreno baldio nas proximidades do Museu do Ipiranga.

Fachada do Museu Mário Fava (CRÉDITO: Divulgação)

 

  • O Museu Mário Fava tem cinco fundadores – Aziz Chidid Neto, Ari Francisco Fiadi, Ângelo Roberto Falseti, Osni Ferrari e José Augusto Barboza Cava – e está instalado no prédio de 90 anos que já foi sede da Sociedade Italiana de Beneficência 4 de Novembro e pertenceu a Santa Casa. O imóvel estava abandonado e foi restaurado para abrigar o Museu. Sua arquitetura original foi preservada.

SERVIÇO

Museu Mário Fava
Endereço: Rua Tiradentes, 410, Bariri (SP)
Telefone: +55 (14) 3662-1317
E-mail: museu@museumariofava.com.br
Horário de Visitação: De terça a domingo, das 10h às 19h
Preço: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e R$ 1 (por aluno em visita escolar)
Mais informações: museumariofava.com.br

(*Com informações Assessoria de Imprensa)

Share this article

LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

Post a comment

Facebook Comments