Halloween combina com livro, cinema, HQ, séries de TV e game

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTO: Pixabay

Se você acha que passou da idade de sair por aí dizendo “gostosuras ou travessuras”, então que tal aproveitar o clima de Halloween (ou Dia das Bruxas, ou Dia do Saci, como queiram), celebrado em 31 de Outubro, imerso em uma boa obra de ficção? Aqui vão algumas dicas realmente assustadoras:

LIVRO: Outsider, de Stephen King (Companhia das Letras)

Lançado em Maio deste ano, o mais recente livro de Stephen King começa com um tom bem policial: o detetive de polícia Ralph Anderson decide prender o popular professor e técnico de beisebol da liga juvenil da cidade de Flint City, Terry Maitland, por rapto, abuso sexual e assassinato de um garoto de 11 anos, o que faz com que toda a cidade, enraivecida, se volte contra ele e sua família.

Mas, apesar das provas de DNA e testemunhas oculares, Maitland se diz inocente e logo novas evidências – sua presença documentada em vídeo numa conferência de literatura, junto com outras testemunhas confiáveis – começam a trazer dúvidas sobre o caso, deixando o detetive de polícia e os demais envolvidos perplexos. A partir desse momento, a história ganha contornos de horror e vai questionar seu ceticismo sobre o inexplicável, no melhor estilo do aclamado autor de O Iluminado.

QUADRINHOS: Batman – O Longo Dia das Bruxas (Panini Comics)

Ao longo de um ano, iniciando no Halloween e se prolongando até o Halloween do ano seguinte, Batman e o comissário Gordon investigam os crimes do serial killer Holiday, que comete seus assassinatos uma vez por mês, em algum feriado. Além de correr contra o tempo para decifrar quem será a vítima do próximo mês, Batman se vê em meio ao fogo cruzado de duas poderosas famílias de mafiosos de Gotham.

Situada cronologicamente nos primeiros anos do herói como combatente do crime e com 13 capítulos, essa série limitada de quadrinhos do Batman, escrita por Jeff Loeb e com arte de Tim Sale, ganhou o Eisner Awards (o mais importante prêmio de HQs) em sua categoria em 1998.

SÉRIE DE TV: The Haunting of Hill House (Netflix)

A nova série de terror da Netflix estreou dia 12 deste mês, sem muito alarde, mas está sendo considerada uma das melhores produções do serviço de streaming em 2018. A família Crain, composta pelo pai Hugh, a mãe Olivia e os cinco filhos (Steve, Shirley, Theodora, Luke e Eleanor), muda-se para a Casa da Colina e se depara com uma série de eventos sobrenaturais, culminando numa tragédia que a força a praticamente fugir do lugar. Anos mais tarde, uma nova perda obriga a família a se reunir e enfrentar medos tanto reais quanto imaginários.

Embora o tema “casa mal-assombrada” pareça batido, a série possui uma história que evita o lugar-comum dos sustos fáceis do gênero e se concentra mais nos dramas pessoais e nas relações familiares abaladas pela tragédia, tornando-a mais humana do que sobrenatural. Baseada livremente no livro A Assombração na Casa da Colina, da escritora Shirley Jackson.

CINEMA: Halloween (2018), direção de David Gordon Green

O primeiro filme Halloween (dirigido por John Carpenter) estreou 40 anos atrás e se tornou uma das principais influências dos filmes de horror desde então, colocando Michael Myers como um dos assassinos mascarados/desfigurados mais famosos da cultura pop e popularizando como heroína o estereótipo da Final Girl, ou seja, da garota aparentemente indefesa que consegue sobreviver no final dos filmes de terror para contar a história.

Para o décimo-primeiro filme da franquia, Jamie Lee Curtis (foto acima) volta como Laurie Strode, a Final Girl do primeiro filme. Ela é hoje uma mulher com estresse pós-traumático, pouco sociável, e que por todos esses anos se preparou para o retorno de seu algoz, até então internado num sanatório. E obviamente ele retorna.

Transformar a adolescente assustada e gritona de 40 anos atrás numa mulher madura e forte deu um novo fôlego à franquia e mostrou que é possível atualizar e modernizar até os gêneros de terror mais clássicos sem tirar sua essência. Ah! O ator Nick Castle, intérprete de Michael Myers em 1978, também retornou ao seu papel nesse novo filme. O filme estreou aqui no Brasil no dia 25 de Outubro.

GAME: expansão Bring The Crunch do jogo South Park – The Fractured But Whole (da Ubisoft, disponível para PC, Playstation, XBox e Nintendo Switch)

E por falar em slasher movies e suas scream queens, o hilário jogo The Fractured But Whole (A Fenda Que Abunda Força, em português), com os personagens da série adulta South Park, faz uma homenagem a esse tipo de filme com sua última expansão lançada em Julho deste ano, Bring The Crunch (CroCrunch, em português). O jogo principal, lançado em 2017, é uma grande sátira à “modinha” atual de filmes e séries de super-heróis, com todo o escracho que vemos na série animada de Trey Parker e Matt Stone.

Nesse DLC o jogador continua como o New Kid, e os poderes heróicos usados aqui são exatamente os da Final Girl. Espere, portanto, bastante desmembramento com motosserras e jorros de sangue arterial enquanto o New Kid tenta descobrir, com a ajuda de Jimmy, Butters e MintBerry Crunch, o herói vindo do espaço, o que anda matando os instrutores do acampamento de verão para deficientes do Lago Tardicaca. É para soltar a Laurie Strode que existe em você.

PARA A CRIANÇADA: Gravity Falls (Disney XD e Netflix)

Criada pelo escritor e dublador americano Alex Hirsch, a série animada acompanha as aventuras dos irmãos gêmeos Dipper e Mabel em suas férias de verão em Gravity Falls, cidadezinha do Oregon cheia de mistérios e criaturas sobrenaturais, na loja de souvenires do tio-avô Stan, um senhor mau-humorado, mas de bom coração que também tem seus segredinhos.

Considerada como divertida, inteligente e até mesmo nostálgica pelos críticos, a série teve apenas duas temporadas de 20 episódios cada (por decisão do próprio criador), mas conquistou uma legião de fãs que não se limita à faixa etária a qual é destinada, e ganhou até um easter egg sutil na série animada para adultos Rick and Morty. Assista com seus pequenos, você também irá se encantar.

Tenha um bom Halloween!

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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