Animação: chegou a hora e a vez da princesa “desencantada”

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTOS: Divulgação/Netflix

Não é a toa que o fundo musical do trailer oficial de (Des)Encanto (Disenchantment, no título original) é Rebel Rebel tocada no violino. Seguindo o que diz a letra da música de David Bowie, Bean, a protagonista da nova série animada de Matt Groening (que já nos presenteou com Os Simpsons e a deliciosa Futurama), sai à noite, rasga o vestido e sempre está com a cara bagunçada de tanto farrear. Tudo isso sendo a princesa de Dreamland.

Ambientada num cenário de fantasia medieval, (Des)Encanto mostra logo em seu primeiro episódio a princesa Tiabeanie sendo levada à força para se preparar para o casamento politicamente arranjado com o príncipe Guysbert. Enquanto tenta se resignar a seu destino real, Bean encontra o demônio Luci, enviado como presente de casamento por magos obscuros que querem torná-la má.

Momentos depois, num momento crucial da cerimônia de casamento, aparece Elfo, criatura simpática e otimista que fugiu do seu reino élfico por estar inconformado com seu destino de ajudante de fábrica de doces. O casamento acaba não acontecendo graças a um infeliz acidente com o noivo consorte e a união dessas três figuras desajustadas norteia todo o desenrolar do seriado.

Ela bebe ‘como homem’, joga por dinheiro, experimenta drogas sem pudores e não é sexualmente reprimida. Além do mais, faz valer totalmente a expressão ‘fight like a girl’ em seu melhor sentido.

Até o sétimo episódio, em histórias mais ou menos fechadas, vemos Bean quebrar todas as regras socialmente impostas, tanto por ser mulher quanto por ser da realeza, seja tentando se livrar de novos pretendentes, seja roubando as joias da família ou dando uma festa no castelo enquanto o pai e a madrasta estão ausentes. Ela bebe “como homem”, joga por dinheiro, experimenta drogas sem pudores e não é sexualmente reprimida. Além do mais, faz valer totalmente a expressão “fight like a girl” em seu melhor sentido.

No entanto, nos três últimos episódios, (Des)Encanto toma um caminho diferente, e cria um arco de história envolvendo a mãe de Bean, a rainha Dagmar, que morreu quando ela era ainda um bebê. Nesse momento, a série até perde um pouco o tom humorístico e ganha mais dramaticidade, o que acaba trazendo resultados positivos e dá um pouco mais de profundidade aos personagens. A temporada se encerra lotada de questões sobre basicamente tudo e todos que fazem parte do seriado.

Há previsão de lançamento de mais dez episódios, segundo o contrato que Groening tem com a Netflix, mas ainda não se sabe a data. Enquanto isso, a primeira temporada está toda disponível desde Agosto deste ano. Vale a pena conferir.

EASTER EGGS

Ah, e não se esqueçam de prestar atenção nos vários easter eggs divertidos que homenageiam ou satirizam queridinhos da cultura pop, como Game of Thrones, Monty Python e desenhos da Disney. Há particularmente um no último episódio que tem dado nó na cabeça dos fãs mais hardcore do seriado Futurama. Assista e tire suas próprias conclusões.

ASSISTA AO TRAILER

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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