Roma: uma pequena expedição gastronômica pela capital italiana

FOTOS: Lalá Ruiz

Tive o prazer, em 2018, de viajar pela segunda vez para a Itália – a primeira foi em Maio de 2008, há dez anos, quando desfrutei de um período de 23 dias de férias nesse país encantador. Desta vez, minha viagem durou 15 dias, entre o final de Julho e início de Agosto, em pleno verão europeu, e foi uma combinação de trabalho e lazer.

Passei cinco dias em Roma. Além de visitar lugares que ainda não conhecia e de rever alguns pontos turísticos, aproveitei, claro, a boa culinária local. Da minha “expedição gastronômica” pela capital italiana nasceu o roteiro abaixo, organizado não por ordem de preferência, localização ou preço, mas pela experiência em si. Confiram!

1. O mercado nosso de cada dia

Quando decidi que voltaria a visitar Roma, comecei a pesquisar sobre lugares diferentes para comer. E o Mercato Centrale me pareceu um dos mais interessantes. Trata-se de um mercado gourmet, anexo à estação Roma Termini, no centro da cidade, com diferentes operações gastronômicas, incluindo uma vegetariana/vegana, mesas compartilhadas no térreo e um restaurante no mezanino.

Balcão do La Pasta Fresca no Mercato Centrale Roma (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Como fiquei hospedada em um hotel próximo ao Termini, foi minha primeira parada para o almoço na capital italiana. Adorei o lugar e voltei várias vezes. Aliás, fui lá praticamente todos os dias. É agitado, descolado e, em alguns horários, um pouco caótico, por conta dos turistas carregados de malas fazendo uma refeição rápida misturados a italianos no intervalo do trabalho.

Cacio e pepe com azeite trufado do Il Tartufo, no Mercado Centrale Roma (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Gostei de tudo o que experimentei, principalmente das massas. Nesse quesito, são duas operações: La Pasta Fresca Egidio Michelis, que oferece clássicos italianos como carbonara, matriciana e cacio e pepe (uma especialidade romana feita com queijo e pimenta-do-reino) ao preço médio de 8 euros; e Il Tartufo Luciano Savini, onde todas as massas levam trufas no preparo, inclusive no cacio e pepe (nesse caso, o prato vem com azeite trufado; custa 10 euros).

Salada do Il Vegetariano e Vegano (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

No geral, os preços são bem honestos. O serviço funciona quase que como uma praça de alimentação de shopping center: você vai ao local escolhido, paga e recebe uma senha para retirar o prato. As bebidas podem ser compradas nas mesas, e o próprio garçom que tira o pedido faz a cobrança na hora. Não fui ao restaurante, mas, se alguém se interessar, é recomendado fazer reserva antecipada.

  • Mercato Centrale Roma
    Endereço: Via Giolitti, 36 (anexo à estação Roma Termini)
    Fone e e-mail para reservas no restaurante: +39 06 46202989 e info.tvd.mercatocentrale@gmail.com
    Site: mercatocentrale.it/roma

2. Um viva à comodidade

Sabe aqueles dias em que você faz um passeio cansativo, chega ao hotel quebrada, com fome, e tudo o que você precisa é tomar banho, comer e dormir? Quando o hotel não tem restaurante, como era o meu caso em Roma, ou você se vira com snacks ou encara um estabelecimento próximo sem medo de ser feliz. Pois eu fiquei com a segunda opção e fui experimentar o Aquila Nera, restaurante bem em frente ao hotel.

Espaguete alho e óleo com pimenta e pecorino do Aquila Nera (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

O cardápio é extenso e tem de tudo: massas, pizzas, carnes, pescados, carta de vinhos, sobremesas etc. Como estava com muita fome, caprichei no pedido com entrada (bruschetta al pomodoro, ou seja, de tomate), primo piatto (espaguete alho e óleo com pimenta e queijo pecorino) e sobremesa (panna cotta com calda de frutas vermelhas). Bebi água com gás e café espresso no final para arrematar.

Panna cotta com calda de frutas vermelhas (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Gastei R$ 16,50, ou seja, não foi muito barato, mas as bruschettas (são duas por porção) estavam deliciosas, o macarrão bem feito, a panna cotta bem saborosa e o espresso corto bem tirado, como em quase todos os lugares na Itália. O serviço é rápido, o que é bom e ruim ao mesmo tempo – os garçons trazem a conta rapidinho para você desocupar a mesa para o próximo cliente.

3. É uma cantina italiana com certeza

Ir a Roma e não se perder pelas ruas do bairro de Trastevere é quase uma heresia. Afinal, o bairro boêmio é uma das principais atrações da capital italiana, com seus charmosos bares e restaurantes. Fui passear por lá na minha segunda noite em Roma, acompanhada de três amigos de Campinas.

Vinho da casa e cesta de pães oferecida como cortesia na La Tavernetta 29 (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Escolhemos ao acaso jantar na simpática La Tavernetta 29 da Tony e Andrea. Trata-se de uma típica cantina italiana, com mesinhas cobertas com toalhas xadrez e os bons e baratos vinhos da casa. O menu também é bem tradicional, com várias opções de pizzas (preço médio de 7 euros), massas, carnes, acompanhamentos, saladas etc.

A deliciosa e simples pizza marguerita (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Estávamos em quatro pessoas e o nosso pedido foi: três pizzas (servidas individualmente, conforme o costume local – eu comi uma marguerita, com massa bem fininha, apenas com molho de tomate e queijo), um macarrão à carbonara, uma garrafa de água com gás de 750ml, um vinho tinto da casa, um suco de laranja e dois cafés. Ficou 12,50 euros por pessoa. Honesto e genuíno.

  • La Tavernetta 29 da Tony e Andrea
    Endereço: Via della Pelliccia, 29a
    Fone: +39 331 117 3123
    Site: latavernetta29.it

4. Há tempo para tudo. Até para ostentar

Quando viajo para alguma cidade que tenha uma filial do Hard Rock Café, sempre programo uma visita ao bar/restaurante. E em Roma não foi diferente. Gosto do ambiente e, principalmente, da memorabília exposta nas paredes.

Pint de cerveja geladíssima servida no balcão do Hard Rock Café de Roma (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Na unidade romana da rede estavam expostos itens como as guitarras de Eddie Van Halen (da banda Van Halen), Angus Young (do AC/DC) e Nancy Wilson (do grupo Heart); um violão do cantor e compositor Tom Petty; um par de botas de Ozzy Osbourne; e roupas de Keith Richards (guitarrista dos Rolling Stones), Elton John, The Edge (guitarrista do U2), David Bowie, Jimi Hendrix, John Lennon, Jon Bon Jovi e até de George Michael nos tempos do Wham.

Salada caesar com frango grelhado (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

A parte gastronômica segue o padrão Hard Rock: porções generosas e preços salgados. Gastei 35 euros (com a gorjeta) entre uma pint de cerveja (foi a melhor que tomei em Roma, consequência do calor de quase 40 graus que fazia na cidade naquele dia), uma garrafa de 750ml de água com gás, uma salada caesar com frango grelhado, um cheesecake de Oreo (magnífico, mas quase não consegui comer inteiro) e um espresso corto.

O que dizer desse cheesecake de Oreo? (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Está longe de ser uma experiência gastronômica romana, mas, como roqueira de carteirinha, me reservo esses momentos de deleite e ostentação pura. Afinal, eu mereço desfrutar de uma boa refeição e tomar uma cerveja gelada em meio a objetos que fazem parte da história do rock mundial e que pertenceram a alguns de meus ídolos.

  • Hard Rock Café Roma
    Endereço: Via Vittorio Veneto, 62a
    Fone: +39 06 420 3051
    Site: hardrock.com

5. Aquela pausa para um cafezinho

Sabe quando dá aquela vontade de tomar um cafezinho com um doce no meio da tarde? Se você estiver nas proximidades da Via Cavour, uma boa opção é a padaria Roscioni. É pequena mas oferece uma boa variedade de biscoitos, docinhos e roscas.

Tiramisù da Pasticceria Roscioni (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Fui lá duas vezes. Na primeira, provei um tiramisù (quem nunca apelou para o clichê que jogue a primeira xícara de café) com um espresso. Gasto total: 4 euros. Na segunda, tomei um café e comprei duas roscas com massa folheada e uma garrafa d’água para levar em um passeio fora de Roma. Preço: 8 euros. Achei bem honesto.

  • Pasticceria Roscioni
    Endereço: Via Principe Amedeo, 15/21 (quase esquina com a Via Cavour)
    Fone: +39 06 488 0725

6. Sempre dá tempo de explorar

Na minha última noite de viagem na capital italiana, decidi que daria uma oportunidade a um dos vários restaurantes do centro histórico de Roma. No horário em que saí para jantar, por volta das 21h, a maioria estava com fila de espera. Acabei optando pela Trattoria Pizzeria Caffe Gianni vi Aspetta, pois o mesmo ainda tinha algumas mesas internas vazias.

A generosa porção de bruschettas do restaurante Gianni vi Aspetta (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

Foi uma grata surpresa. Comida realmente deliciosa e local frequentado tanto por turistas como por italianos. Gastei 13 euros entre uma bebida (água mineral com gás, gelo e limão – que são trazidos à parte), uma entrada e um prato principal, respectivamente bruschetta al pomodoro (minha preferida) e macarrão cacio e pepe (assumo que viciei nesse prato).

O maravilhoso cacio e pepe (CRÉDITO: Lalá Ruiz)

 

As porções são pra lá de generosas. As bruschettas vêm acompanhadas por uma saladinha de rúcula e uma porção de palitos de abobrinha empanados e fritos. Só isso já vale por uma refeição. O prato de espaguete é simplesmente maravilhoso. Mais uma vez, quase que não consegui comer tudo. Como diria meu amigo Arian do Guia do Lugarzinho, recomendo com louvor.

  • Trattoria Pizzeria Caffe Gianni vi Aspetta
    Endereço: Via Daniele Manin, 61
    Fone: +39 06 489 06977

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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