Deadpool 2: fiel à anarquia e ao humor nonsense e grotesco

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTOS: Divulgação/Fox Film

Os caminhos de Deadpool e do ator Ryan Reynolds se cruzaram pela primeira vez em 2004. Na série em quadrinhos Cable and Deadpool vol.2, lançada naquele ano, o Mercenário Tagarela se descreve como “um cruzamento de Ryan Reynolds com um shar pei”. Foi o suficiente para que ator canadense desejasse interpretar Deadpool e entrasse no projeto de levar o filme do anti-herói às telas do cinema, que já estava em desenvolvimento desde 2000.

O desejo de Ryan Reynolds foi… hum, mais ou menos atendido em 2009, no filme X-Men Origens: Wolverine, com a aparição do personagem Wade Wilson (o cara por baixo do uniforme de Deadpool) como um membro do Team X, que se torna Weapon XI, um mutante assassino. Sem o uniforme vermelho característico e sem nenhuma menção ao nome Deadpool, essa primeira vez do Mercenário Tagarela definitivamente não agradou ninguém. Nem mesmo Ryan Reynolds, que constantemente faz piadas sobre o assunto juntamente com seu companheiro de filme, o ator Hugh Jackman (intérprete do mutante Wolverine).

A redenção veio em 2016, com o filme solo. Com uma campanha de marketing atípica e eficiente, que se aproveitou e fez piada do baixo orçamento liberado para o filme, Deadpool foi um sucesso absoluto, fazendo valer a perseverança de Reynolds e consagrando-o como a melhor escolha possível para ser o querido anti-herói. Ágil, escrachado, violento, Deadpool chegou quebrando a quarta parede, com suas constantes piadas metalinguísticas, e subverteu tudo o que havíamos visto em filmes baseados em personagens da Marvel até então. Fiel ao seu material de origem, conseguiu a façanha de ser o filme R-Rated (liberado para menores de 18 anos apenas na companhia de um adulto) mais bem-sucedido de 2016, o que quebrou o tabu de que filmes “adultos” de herói não são rentáveis e abriu o caminho para filmes como Logan (2017) e Venom (a ser lançado em Outubro deste ano), também R-Rated.

Com orçamento maior, um novo diretor (David Leitch, conhecido por dirigir John Wick) e novamente com censura R, Deadpool 2 chega aos cinemas de quase todo o mundo esta semana. Nesta sequência, Deadpool reúne um time de mutantes (que ele chama de X-Force) para resgatar e proteger o adolescente Russell Collins (Julian Dennison), um jovem mutante com habilidade de gerar fogo com as mãos que sofre abusos no orfanato onde mora com outros como ele. No encalço deste garoto está Cable (Josh Brolin), um soldado cibernético que veio do futuro para matá-lo.

Fazendo jus ao seu antecessor, Deadpool 2 continua sendo um deleite anárquico, com humor que varia do nonsense ao grotesco em praticamente todas as cenas. Embora o fator novidade já não exista mais, o retorno em maior escala de todo o material que fez do primeiro Deadpool algo tão único deverá agradar os fãs conquistados em 2016. As referências e piadas com a cultura pop continuam pontuando o filme do começo ao fim, passando por alusões à própria Marvel, DC, ícones e estilos musicais de décadas passadas e até hypes modernos como o seriado Stranger Things. Dito isso, meu conselho é não deixar a sala de cinema enquanto rola os créditos, há excelentes piadas ali, além de serem cenas relevantes. E preste atenção também a algumas participações especiais e bem inesperadas de rostos conhecidos ao longo da projeção.

Sendo o cinema um mundo de negócios com bastante pressa para lucros, já se especula um Deadpool 3 e um spin-off com o time X-Force, mas com a compra da Fox pela Disney, e sendo esta também a atual dona da Marvel, não se sabe muito bem quais serão os rumos do Mercenário Tagarela dentro desse contexto. Resta então a nós espectadores aproveitar ao máximo essa diversão despretensiosa e torcer para que Ryan Reynolds continue inspirado ao encarnar o anti-herói mais amado da Marvel por mais algum tempo.

***ATUALIZAÇÃO***Atenção: Deadpool 2 chegou aos cinemas nesta quinta-feira (17/5/2018) proibido para menores de 18 anos, mesmo quando acompanhados pelos pais. Os motivos alegados pelo Ministério da Justiça foram “drogas, violência extrema e conteúdo impactante”. Porém, depois de polêmica envolvendo redes exibidoras e público, nesta sexta-feira (18/5/2018) a distribuidora Fox Film do Brasil divulgou um comunicado informando que a classificação indicativa havia sido reduzida para 16 anos. Porém, bom senso nunca é demais.

Assista a vídeo promocional com a participação do ex-jogador de futebol David Beckham:

FICHA TÉCNICA

Deadpool 2
EUA, 2018
Direção: David Leitch
Elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin e Morena Baccarin, entre outros
Duração: 119 minutos
Classificação indicativa: 18 anos

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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