Universo Marvel chega ao auge com Vingadores: Guerra Infinita

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTOS: Marvel Studios

Foram necessários dez anos e 18 filmes para que o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) chegasse ao auge. Vingadores: Guerra Infinita é o início do fim de um ciclo extremamente aguardado por toda uma geração de fãs que acompanhou a saga desde a transformação do gênio e playboy milionário Tony Stark em herói no primeiro Homem de Ferro (2008) até a posse do novo rei do ultratecnológico país africano Wakanda em Pantera Negra (2018), passando por aventuras no espaço com um time de renegados divertidos nos filmes Os Guardiões das Galáxias e por todo um mundo criado em torno da mitologia nórdica nos filmes de Thor.

Entre erros e acertos (mais do segundo do que do primeiro, deve-se notar) ao longo dessa década, é impressionante como a Marvel Studios conseguiu criar um mundo próprio e cheio de personalidade que consegue, na maioria das vezes, dar o devido crédito de inspiração ao material de origem nos quadrinhos, sem necessariamente usá-lo de muleta – não é preciso ter lido os quadrinhos para entender qualquer um dos filmes da MCU. Mas para quem leu, é inegável que Guerra Infinita, HQ originalmente lançada em 1992, era uma das sagas de quadrinhos que os fãs mais desejavam que virasse filme.

O vilão Thanos, interpretado por Josh Brolin

 

É óbvio que adaptar essa saga não seria uma tarefa simples. Se em Capitão América: Guerra Civil, de 2016 (também inspirado na saga homônima dos quadrinhos), vemos uma quantidade enorme de personagens e várias histórias acontecendo, em Guerra Infinita isso está numa escala (sem trocadilho) infinitamente maior. É surpreendente, portanto, que nesse quesito Guerra Infinita consiga ter se saído melhor que Guerra Civil: todos os personagens conseguem ter seu devido destaque, com os protagonismos bem dosados e nos momentos certos. Há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas não é necessário ser nenhum gênio para acompanhar o desenrolar das tramas.

O filme tem início, em termos de linha do tempo, praticamente onde terminaram Thor: Ragnarok (2017) e Pantera Negra. Basicamente, acompanhamos o vilão Thanos (Josh Brolin), ser poderoso e despótico nascido em Titã, em sua jornada para reunir as seis Joias do Infinito em sua manopla com o objetivo de controlar a realidade e “reequilibrar o universo”. Quem viu os filmes anteriores à Guerra Infinita certamente sabe onde estão algumas dessas joias e em que situação está a maioria dos personagens, sobretudo depois da dispersão dos Vingadores após os eventos vistos em Guerra Civil. Portanto, deve imaginar o estrago que se segue – as casualidades dessa guerra podem ser chocantes e estarrecedoras.

Apesar de praticamente todos os heróis e super-heróis estarem ali, sem dúvida nenhuma é o vilão Thanos a grande estrela e protagonista do filme. Josh Brolin consegue, debaixo de todo aquele CGI, dar textura a um personagem que facilmente poderia ficar caricato e unidimensional, entregando, de maneira surpreendente, o vilão mais psicologicamente complexo da Marvel até agora: existe o desvio de moral e a megalomania comum de todo vilão, mas há sensibilidade também. Sua relação com a filha adotiva Gamora (Zoe Saldana) é muito interessante e norteia boa parte do filme.

Combinando cenas de ação espetaculares com momentos genuinamente emocionais e dramáticos, as duas horas e 40 minutos de projeção passam sem que o espectador perceba. Os efeitos visuais e sonoros estão à altura da grandiosidade do filme e o ritmo varia de maneira adequada conforme a história transita de um grupo de heróis para o outro. Há a urgência inerente da situação, mas há tempo para assimilar o que está se desenrolando.

O filme acaba, obviamente, de maneira bem aberta, já que está prevista a estreia da segunda parte daqui a um ano. Há uma única cena pós-crédito e é importante: ela dá um gostinho interessante do que estamos para ver.

Vingadores: Guerra Infinita é um filme ambicioso, mas que sabe que é um blockbuster de entretenimento. Sendo assim, cumpre tudo o que promete e ainda deixará o espectador com vontade de ver mais. Se quer passar o feriado prolongado de maneira descontraída e fugir um pouco da “maratonagem” de seriados de streaming, não perca a oportunidade.

FICHA TÉCNICA

Vingadores: Guerra Infinita
(Avengers: Infinity War, EUA, 2018)
Direção: Anthony e Joe Russo
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Don Cheadle, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Zoe Saldana, Karen Gillan, Tom Hiddleston, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Idris Elba, Peter Dinklage, Josh Brolin e Chris Pratt, entre outros
Duração: 156 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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