Uma oportunidade para (re)descobrir a obra de Jane Austen

FOTO: Depositphotos

Eu sei, livro é livro, novela é novela e assim por diante. Mas, confesso que ao assistir às primeiras chamadas de Orgulho e Paixão, novela das 18h da TV Globo baseada nos livros da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), mais especificamente Orgulho e Preconceito e Emma, fiquei apreensiva. Digo isso porque Austen é uma das minhas autoras preferidas.

Porém, levando-se em conta que as obras de Jane Austen tiveram diferentes adaptações para o cinema e para a televisão, penso que o folhetim escrito por Marcos Bernstein se apresenta como uma oportunidade de a obra da britânica, um dos nomes mais importantes da literatura de todos os tempos, ser (re)descoberta pelos leitores brasileiros.

Assim, decidi fazer aqui um pequeno guia com a bibliografia de Jane Austen, escritora que retratou como poucos autores a vida em sociedade nas pequenas cidades do interior da Inglaterra no século 18 e a falta de perspectivas para as mulheres, consideradas cidadãs de segunda categoria e merecedoras de respeito só quando conseguiam um bom casamento.

Retrato da escritora Jane Austen (CRÉDITO: Reprodução)

 

Nascida em 16 de Dezembro de 1775 em Steventon, Hampshire, Jane Austen era filha de George Austen (um pároco da Igreja Anglicana) e de Cassandra Austen. Começou a escrever comédias ainda na adolescência, apenas para entretenimento da família, e terminou seu primeiro livro quando tinha 19 anos.

Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito foram enviados por seu pai a um editor, mas foram rejeitados. As obras foram publicadas posteriormente, em 1811 e 1813, respectivamente, tendo como autora “uma senhora”. Morreu em 18 de Julho de 1817, aos 42 anos, de mal de Addison (insuficiência primária das glândulas suprarrenais).

Vamos aos livros (todos têm edições brasileiras atualizadas publicadas pela Martin Claret). E boa leitura:

1. Razão e Sensibilidade

Sinopse*

Após a morte de Henry Dashwood, sua esposa e filhas – a sensata Elinor, a romântica Marianne e a jovem Margaret – veem-se empobrecidas e obrigadas a trocar sua confortável mansão por um pequeno chalé em Barton Park. Enquanto Elinor é controlada e cautelosa, Marianne demonstra abertamente seus sentimentos, recusando-se a adotar a conduta hipócrita que é esperada dela. As irmãs enfrentam grandes desafios em suas vidas amorosas e são forçadas a encontrar o equilíbrio entre razão e emoção antes de conquistarem o verdadeiro amor.

Trívia

A história teve várias versões para TV e cinema. A mais famosa é o filme homônimo de 1995, dirigido por Ang Lee com roteiro da atriz Emma Thompson, que também interpretou a personagem Elinor. Margareth foi interpretada por Kate Winslet e o elenco contou com outros nomes de peso como Hugh Grant, Alan Rickman e Tom Wilkinson. A produção ganhou muitos prêmios, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Roteiro Adaptado e o Urso de Ouro (melhor filme) no Festival de Berlim.

2. Orgulho e Preconceito

Sinopse*

Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen mostra como o amor entre os protagonistas (N.R.: Sr. Darcy e Elizabeth Benneth) foi capaz de superar barreiras de orgulho e preconceito, a diferença social entre eles e o escasso poder de decisão concedido à mulher na sociedade daquela época. Ao retratar o cotidiano das pessoas, o estilo da autora destila sempre uma ironia sutil, dissimulada pela leveza da narrativa.

Trívia

Um dos livros nos quais se baseia a novela Orgulho e Paixão, da Globo, também serviu de inspiração para outras obras, tais como os livros/filmes O Diário de Bridget Jones e Orgulho, Preconceito e Zumbis. Entre as versões que teve para a TV e cinema, duas merecem destaque: a minissérie produzida pela BBC em 1995 e o longa-metragem dirigido por Joe Wright em 2005. A primeira trazia Colin Firth no papel de Sr. Darcy (o ator viria a “repetir a dose” na comédia O Diário de Bridget Jones); o segundo apresentou uma excelente reconstituição de época mas causou polêmica ao oferecer um final alternativo na versão em DVD.

3. Emma

Sinopse*. Ao comentar sobre Emma Woodhouse, Jane Austen brincou com seus leitores ao dizer que ela é o tipo de “heroína que ninguém além dela própria iria gostar muito”. Entretanto, ela é irresistível, a única personagem dos seis livros publicados de Austen cujo próprio nome é também o título do livro. Além disso, Emma possui uma descrição diferenciada das demais heroínas criadas pela autora: é bonita, inteligente e rica. O livro é um ótimo exemplo de sagacidade e ironia, típicos da escritora Jane Austen, e é considerado por muitos como seu romance mais elaborado. A habilidade que a escritora teve ao demonstrar os diversos aspectos da natureza humana de forma bastante realista e afetuosa eleva esta obra a uma sátira brilhante.

Trívia. Assim como Orgulho e Preconceito, Emma teve adaptações no cinema e na televisão, respectivamente em 1996 e 2009. Na telona, a personagem título foi interpretada por Gwyneth Paltrow. Na versão para a TV, produzida pela britânica BBC, a heroína foi vivida por Romola Garai. Uma curiosidade: na série, Michael Gambon, conhecido por dar vida ao professor Dumbledore nos filmes de Harry Potter, interpreta o pai de Emma.

4. Mansfield Park

Sinopse*. Mansfield Park aborda temáticas como traição, tráfico negreiro e moralidade. Segundo alguns críticos é o romance mais sério de Jane Austen, escrito na fase madura da autora. O livro nos conta a história de Fanny Price que, aos 10 anos de idade, deixa a casa dos pais humildes em Portsmouth para ser criada pela família rica de seus tios, Lady Bertram e Sir Thomas Bertram, em Mansfield Park.

Trívia. Fanny Price talvez seja a personagem mais “sofrida” de Jane Austen. No cinema, foi interpretada por Frances O’Connor em longa-metragem de 1999 que no Brasil ganhou o título de Palácio das Ilusões.

5. A Abadia de Northanger

Sinopse*. Escrito quando Jane Austen era muito jovem e publicado postumamente em 1808, A Abadia de Northanger é uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila e tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século 18. Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances.

Trívia. A primeira tradução brasileira de A Abadia de Northanger foi feita em 1944 pelo poeta, romancista e jornalista Lêdo Ivo (1924-2012) para a Editora Pan-americana. Essa mesma tradução foi publicada posteriormente, em 1982, pela Livraria Francisco Alves, na coleção Clássicos Francisco Alves. A edição da Martin Claret tem tradução de Roberto Leal Ferreira.

6. Persuasão

Sinopse*. Além de constituir um vívido retrato da época, com as convenções e costumes da sociedade rural inglesa do começo do século 19, Persuasão (1818) conta a bela e sedutora história de Anne Elliot e Frederick Wentworth, que, oito anos depois do rompimento do noivado, reencontram-se em circunstâncias bem diferentes daquelas do passado.

Trívia. Trata-se de uma obra póstuma (foi publicada em 1818, um ano depois da morte de Jane Austen). Virou um filme para a televisão em 2007, numa co-produção entre Estados Unidos e Inglaterra exibida pelo canal americano PBS.

*Sinopse reproduzida da edição da Martin Claret.

EM TEMPO 1:

Além das edições atualizadas da Martin Claret, publicações mais antigas e edições importadas da obra de Jane Austen podem ser encontradas em livrarias e sebos (virtuais e reais). Entre elas, estão edições bilíngues lançadas pela Landmark. Aliás, foi a Landmark que publicou no Brasil o livro Lady Susan, um romance curto em formato de cartas escrito por Austen aos 19 anos.

EM TEMPO 2:

A paixão que os livros de Jane Austen desperta nos leitores foi retratada no simpático filme O Clube de Leitura de Jane Austen (The Jane Austen Book Club, EUA, 2007). Dirigido por Robin Swicord, mostra, como o nome sugere, um grupo de seis pessoas que se reúne para discutir os livros da autora e como, de certa forma, suas vidas acabam por ser um espelho “atualizado” das tramas. Assista ao trailer:

EM TEMPO 3

A vida de Jane Austen antes da fama e seu suposto romance com um jovem militar irlandês inspirou o longa-metragem Amor e Inocência (Becoming Jane, Grã-Bretanha/EUA, 2007), com Anne Hathaway no papel da escritora. Assista ao trailer:

EM TEMPO 4

Qual o meu livro favorito de Jane Austen? Gosto de todos, mas Persuasão foi uma grande surpresa. E o seu preferido, qual é?

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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