Viaje pelo mundo fantástico de Guillermo del Toro

TEXTO: Lisandra Suzuki*/ FOTOS: Divulgação

Estreia nesta semana no Brasil o mais recente filme de Guillermo del Toro, A Forma da Água. O filme conta a história de Elisa, que se afeiçoa a uma criatura humanoide e anfíbia mantida num laboratório de alta segurança do governo do qual é zeladora. Este longa-metragem tem sido o mais aclamado do diretor mexicano em todo o mundo. Recebeu o prêmio de melhor filme no Festival de Veneza, o Globo de Ouro de Melhor Direção e foi indicado em 13 categorias ao Oscar deste ano, a se realizar no dia 4 de Março, incluindo a categoria de Melhor Filme.

A filmografia de del Toro é variada e inclui filmes de dark fantasy, gothic horror, ficção científica e adaptações de graphic novels. Seja o filme situado num cenário fantástico pós-guerra civil espanhola, ou num cenário futurista com robôs gigantes e monstros japoneses, há sempre ali um toque estiloso de poesia e elegância característico do diretor mexicano, o que torna cada longa diferente de outros do mesmo gênero.

Mas não é de se espantar que del Toro imprima seu estilo nas obras, já que o diretor começou seus primeiros experimentos criativos com câmera aos 8 anos de idade, usando a Super-8 de seu pai para filmar bonecos de ação e outros objetos. Mais tarde, estudou maquiagem e efeitos especiais, sendo designer dessas áreas por dez anos.

Seu primeiro longa-metragem foi o filme de horror Cronos (1993), falado em espanhol e com participação do ator Ron Perlman, que mais tarde apareceria também nos dois filmes baseados na HQ Hellboy dirigidos por del Toro. Com um enredo criativo envolvendo alquimia e mitologia, o filme foi aclamado pela crítica e chamou a atenção do resto do mundo, a ponto de receber da empresa Miramax (sim, aquela de Harvey Weinstein!) o dinheiro necessário para escrever e dirigir Mutação (Mimic, 1997), com Mira Sorvino.

Guillermo del Toro no set de filmagem de A Forma da Água

 

Embora o resultado final seja interessante e tenha recebido boas críticas, del Toro não ficou satisfeito, pois não foi a sua versão que chegou aos cinemas, o que pode explicar seu fracasso nas bilheterias.

Após essa decepção em terras hollywoodianas, del Toro lançou em 2011 A Espinha do Diabo, longa filmado na Espanha e no México, em idioma espanhol, e com produção de Pedro Almodóvar. Ambientado em 1939, último ano da Guerra Civil Espanhola, o filme gira em torno dos segredos assustadores de um pequeno orfanato aos cuidados de um casal de simpatizantes republicanos e que já foi alvo de ataques com bombas das tropas do general ditador Francisco Franco.

Foi extremamente bem recebido por conseguir contar uma história de horror eficiente, ao mesmo tempo em que retrata as tristezas da infância roubada por cenário político de guerra.

Esse tema se repetiu em seu filme de dark fantasy, também em espanhol, O Labirinto do Fauno (2006), no qual vemos a menina Ofélia passeando entre o mundo real e o mundo mítico dentro de um labirinto abandonado, no qual ela interage com um fauno (interpretado por Doug Jones, ator recorrente nos filmes de del Toro), ao mesmo tempo em que tem de lidar com seu novo padrasto, o capitão Vidal, um falangista cuja missão é caçar rebeldes republicanos.

Essa parábola moderna, que ao final deixa o espectador em dúvida sobre o que era real e o que era fantasia, foi ovacionada pela crítica do mundo todo, e ganhou inúmeros prêmios em diversas categorias, incluindo BAFTAs (o Oscar inglês), Goyas (premiação do cinema espanhol), Hugos (que reconhece os melhores trabalhos de ficção científica e fantasia), Globos de Ouro e Oscars.

Entre esses dois filmes em espanhol, e após o reconhecimento mundial de O Labirinto do Fauno, del Toro voltou a dirigir filmes mais hollywoodianos. Três deles foram baseados em HQs: Blade II (em 2002, com Wesley Snipes, o qual apenas dirigiu), e Hellboy (2004) e Hellboy II – O Exército Dourado (2008), nos quais foi responsável também pelo roteiro.

Em 2013, dirigiu Círculo de Fogo, que mostra a humanidade em luta contra kaijus, monstros marinhos vindos de um portal do fundo do Oceano Pacífico, utilizando jaegers, robôs gigantes controlados por pilotos ligados a eles mentalmente. Neste filme, del Toro disse ter se sentido como uma “criança grande se divertindo” (e como não se divertir num delicioso sci-fi que resgata a nostalgia de seriados japoneses como Ultraman e Spectreman, mas com muito mais tecnologia e grandiosidade?).

Del Toro também produziu e ajudou a escrever (embora não tenha dirigido) a continuação que estreará em Março deste ano, Círculo de Fogo: Uprising, com o ator John Boyega (Star Wars: The Last Jedi). Em 2015, dirigiu o romance gótico A Colina Escarlate, com Tom Hiddleston (o Loki nos filmes do universo Marvel) e Mira Wasikowska (Alice No País das Maravilhas).

Cena de A Colina Escarlate

 

Além dos filmes, del Toro também escreveu, juntamente com o autor Chuck Hogan, os livros da trilogia da Escuridão (The Strain), romances de ficção científica de apocalipse vampiresco lançados entre 2009 e 2011, e que acabaram virando uma série com quatro temporadas exibida pelo canal FX . O primeiro episódio da série, Night Zero, foi dirigido por del Toro.

Ele também criou a série animada infanto-juvenil Trollhunters, produzida pela Dreamworks e exibida pela Netflix, cujo elenco de vozes inclui Anton Yelchin (Star Trek) e Kelsey Grammer (Frasier), além de participações de Mark Hammil (o Luke Skywalker!), Lena Headey (a Cersey de Game of Thrones) e colaboradores recorrentes, como Tom Hiddleston e Ron Perlman.

Com um legado tão variado e criativo, fica difícil não admirá-lo, não? Para quem quiser conhecer o processo criativo por trás dessa mente tão original, recomendo o livro Guillermo del Toro Cabinet of Curiosities: My Notebooks, Collections, and Other Obsessions, uma maravilhosa publicação em capa dura, com prefácio do diretor James Cameron, que mostra os desenhos, anotações e coleções que serviram de inspiração para esse talentoso diretor.

Seu novo filme, A Forma da Água (The Shape of Water), estreia nesta quinta-feira (1º/2/2018) nos cinemas, mas o livro homônimo escrito por ele será lançado no Brasil no próximo dia 27 pela editora Intrínseca.

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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