Cinema: a bem-sucedida carreira do curta campineiro Eternidade

FOTO: Cena de Eternidade/ CRÉDITO: Divulgação

Depois de ser exibido em festivais pelo Brasil, entre eles o Cinexpresso, de São José do Rio Preto (SP), Mostra Curta Campinas, em Campinas (SP), Festival Boca do Inferno e 1ª Mostra Cineteatro, ambos em São Paulo (Capital), Festcine Poços de Caldas, em Minas Gerais, e Festcine Pinhais, no Paraná (no qual foi premiado como melhor filme e melhor trilha sonora, de autoria de Fabiano Negri), o curta-metragem Eternidade, quinto filme do diretor campineiro Flávio Carnielli, inicia uma carreira internacional.

O curta independente faz parte da seleção oficial do 2º Festival Internacional do Cine Silente, mostra dedicada ao cinema mudo contemporâneo realizada pela prefeitura de Puebla, no México. O evento, que ocorre entre esta quarta-feira e o próximo sábado (14 a 17/2/2018), exibe 68 curtas e três longas-metragens, selecionados entre 1,5 mil inscritos oriundos de 26 países. Também faz parte da programação um simpósio sobre a produção cinematográfica das três primeiras décadas do século 20 no México e na Colômbia.

Eternidade foi escrito e dirigido por Flávio Carnielli. É baseado em conto de Egdar Allan Poe e tem linguagem inspirada no expressionismo alemão. O filme de terror mudo e em preto e branco conta a história de um casal separado pela morte capaz de tudo para se reencontrar, até mesmo invocar a Deusa da Eternidade. O curta-metragem foi rodado na fazenda Pau D’Alho e na cidade de Paulínia, com apoio de parceiros da iniciativa privada. A equipe e os atores, todos da região de Campinas, trabalharam sem cachê.

E enquanto Eternidade é exibido no México, Carnielli trabalha na finalização de seu novo filme, Fórmula Selvagem, produção batizada inicialmente de O Nascimento de Mary Black. Trata-se de um longa-metragem sobre uma ditadura que impõe corridas violentas de carro como forma de selecionar seus cidadãos. O site Lalá Ruiz – Notícias Crônicas conversou com ele sobre Eternidade, sobre Fórmula Selvagem e sobre seus projetos futuros (ele prepara um filme sobre o jornalista esportivo Brasil de Oliveira, morto em 1996). Leia a entrevista:

Notícias Crônicas: Como você avalia a carreira de Eternidade até agora e como é para você ter sido selecionado para um festival dedicado ao cinema mudo?

Flávio Carnielli: Eu achei sensacional, foi um filme feito com pouco recurso, mas com muito trabalho e dedicação. Quanto ao festival, é do nicho dele, né? Mas saber que foi selecionado dentre 1,5 mil outros do mundo todo é uma dádiva!

Aliás, é muito curioso um festival dedicado ao cinema mudo, principalmente nestes tempos de filmes barulhentos…

Pois é, mas a tecnologia de hoje permite explorar todos os gêneros e estilos de filme. E o festival também faz uma espécie de retrospectiva de todo o cinema mudo da América Latina. A gente conhece o Humberto Mauro mas não conhece um filme boliviano mudo, por exemplo. Não é maravilhoso poder ter acesso a isso hoje?

Depois do festival no México, há previsão de exibir Eternidade em outros espaços?

O Fabiano (Negri) quer fazer uma exibição com a trilha toda ao vivo. Como ele é maluco, não tenho dúvida de que ele vai fazer! Queria também colocar em mais alguns festivais. Nada mais gostoso do que exibir seu trabalho.

E como está Fórmula Selvagem?

Esse filme tem 80 minutos, é um longa-metragem feito apenas com captação privada. Nós reunimos mais de 150 pessoas e 60 carros para compor um universo de corrida selvagem de automóveis. Eu amo esses filmes de carro, como Death Race 2000 (de Paul Bartel, 1975), Smokey and the Bandit (de Hal Needham, 1977) e Cannonball Run (do mesmo diretor, 1981). Pra mim, é a maior realização de todas. Aliás, ninguém no Brasil fez um filme assim, tem muitos carros clássicos e é super divertido.

Você terminou de editar. Tem previsão de lançamento? O que falta?

Eu terminei de montar, falta dublar e compor toda a trilha. Precisamos também de apoio para lançar esse filme. Ao todo, foram seis anos entre o projeto e o fim da edição e eu tenho certeza de que as pessoas vão se divertir muito com a loucura, acidentes bizarros, vilões malvados e muito humor negro.

E depois vem o quê?

Eu quero fazer uma ficção científica bem louca, mas este ano temos um curta super sério pra fazer, um filme sobre o Brasil de Oliveira, que foi um jornalista esportivo maravilhoso da região. Nós pegamos um ProAC (programa de incentivo do governo do Estado de São Paulo) para isso e espero o apoio de todos os empresários da região para homenagear o Brasa e o futebol da cidade!

FICHA TÉCNICA

Eternidade (ficção, P&B, 2016, HDV, 13 minutos)
Roteiro e direção: Flávio Carnielli
Direção de fotografia: Leandro Galoni
Direção de arte e figurinos: Helen Quintans
Maquiagem: Eduardo Campos
Trilha sonora original: Fabiano Negri
Mixagem e masterização: Ric Pama – Estúdio Minster
Elenco: Filastor Brega, Amanda Costa, Andrea Sesso

ASSISTA AO TRAILER

EM TEMPO 1

  • Flávio Carnielli e sua produtora têm o prazo de um ano para captar os R$ 120 mil necessários para realizar o curta-metragem sobre o jornalista esportivo Brasil de Oliveira. Assim, empresas interessadas em fazer parte do projeto podem entrar em contato pelo telefone (19) 9822-5043 ou pelo e-mail flaviocarnielli@gmail.com. Vamos ajudar?

EM TEMPO 2

  • Além de Eternidade, de Flávio Carniello, o 2º Festival Internacional do Cine Silente selecionou outro curta-metragem brasileiro: Variações Sobre Demônios Mudos, de Heitor Isoda, de São Paulo. Entre os três longas-metragens que serão exibidos na mostra, está Un Viaje, de José P.C., uma coprodução entre Brasil e Espanha (mais informações sobre o festival podem ser obtidas no Facebook).

FILMOGRAFIA

Filmes de Flávio Carnielli:

  • Eternidade (curta-metragem, 2016)
  • O Livro da Salvação (curta-metragem, 2015)
  • Jana Contra a Máquina do Tempo (média-metragem, 2015)
  • Roberto no País dos Justos (curta-metragem, 2014)
  • Desalmados (longa-metragem, 2014)

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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