Basquiat: retrospectiva do artista passará por 4 capitais brasileiras

FOTO: Jean-Michel Basquiat/ CRÉDITO: Lizzie Himmel

A cidade de São Paulo será a primeira parada da exposição retrospectiva da obra do artista plástico nova-iorquino de ascendência afro-caribenha Jean-Michel Basquiat (1960-1988), que vai circular pelo Brasil durante o ano de 2018, sempre com entrada gratuita para o público. A mostra terá cerca de 80 peças, entre quadros, desenhos, gravuras e pratos pintados, e poderá ser visitada em quatro capitais.

Na capital paulista, a retrospectiva Jean-Michel Basquiat ficará em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) entre os dias 25 de Janeiro (aniversário da cidade) e 7 de Abril. Em seguida, a exposição segue para Brasília (21 de Abril, aniversário da capital federal, a 1º de Julho); Belo Horizonte, em Minas Gerais (16 de Julho a 26 de Setembro); e Rio de Janeiro (12 de Outubro a 8 de Janeiro de 2019).

Com curadoria de Pieter Tjabbes, a retrospectiva foi concebida com obras da coleção da família Mugrabi. As peças foram disputadas por diversos países, entre eles Coreia do Sul, Japão e Rússia, e o acervo chega ao país graças à ação conjunta do Banco do Brasil e da produtora Art Unlimited, com patrocínio da BB Seguridade, do Brasilcap e do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

O ARTISTA

Filho de pai haitiano e mãe descendente de porto-riquenhos, Basquiat morreu jovem, aos 27 anos, de overdose. Desde muito cedo, foi reconhecido como um garoto excepcionalmente inteligente. Influenciado pela família, com a qual viria a ter problemas no fim da adolescência, fato que o levou a viver como sem-teto, rapidamente aprendeu, além do inglês, francês e espanhol, e foi incentivado a desenvolver seu talento para as artes.

Quando morreu, em 1988, Basquiat era uma estrela do cenário artístico de Nova York. Sua produção, marcada pelo uso, muitas vezes, de materiais simples, como papel comum, colagens, cópias reprográficas e a combinação de imagens humanas (com frequência inspiradas no livro de anatomia Gray’s Anatomy, que ganhou de sua mãe) e palavras, atraía a atenção de críticos, curadores e, não menos importante, de compradores.

Sem título, 1982 (CRÉDITO: Christie’s)

 

Recentes exposições em Nova York, Milão, Roma e Londres têm valorizado ainda mais sua produção e suas obras. Em 2010, uma tela sua, Sem título (1982), foi vendida por mais de US 110 milhões de dólares num leilão, fazendo deste trabalho a mais cara obra e arte norte-americana já vendida. Em 2018, além do Brasil (SP, DF, BH e RJ), Alemanha (Frankfurt) e França (Paris) receberão mostras bem representativas do artista.

Basquiat é também um raro artista negro de sucesso, no contexto das artes plásticas, em um universo predominantemente branco. Em sua breve carreira, Basquiat trouxe à tona a negritude e as vicissitudes e traumas experimentados pelos negros nos EUA. “Eu percebi que não via muitas pinturas com pessoas negras”, explicou o próprio Basquiat, fazendo um adendo depois: “O negro é o protagonista da maioria das minhas pinturas”.

Basquiat é um dos maiores artistas de ascendência afro-caribenha e é exaltado em todo o mundo. Ele é, fundamentalmente, um artista de Nova York. Sua obra personifica o caráter da cidade nos anos 70 e 80, quando a mistura de empolgação e decadência da cidade criou um paraíso de criatividade. Sua obra reflete os ritmos, os sons e a vida da cidade. Ela sintetiza o discurso artístico, musical, literário e político de Nova Iorque durante este período tão fértil.” (Pieter Tjabbes, curador da exposição)

CRONOLOGIA

1976-1979

  • Aos 16 anos, Jean-Michel Basquiat começa a espalhar poemas e epigramas assinados como SAMO (abreviatura da expressão Same Old Shit, ou Mesma Merda de Sempre), junto com o amigo Al Diaz, nas paredes do bairro de Downtown Manhattan e no metrô nova-iorquino.
  • Os grafites e cartazes na linha D do metrô e em outras áreas de Manhattan atraíram a atenção do Village Voice, jornal independente que destacou a produção do grafite nova-iorquino, marcou uma geração de artistas e militantes LGBT e permanece, ainda hoje, ativo.
  • Basquiat torna-se um artista célebre, com aparições frequentes em programas de TV. Em 1979, o codinome SAMO é abandonado, numa intervenção na cidade que aumentou ainda mais sua notoriedade: a inscrição “SAMO is dead” apareceu grafitada no SoHo e no baixo Manhattan.

1980-1982

  • Em 1979, Basquiat formou uma banda com Shannon Dawson, Michael Holman, Nick Taylor, Wayne Clifford e Vincent Gallo, inicialmente chamada Test Pattern, mas depois rebatizada como Gray. Em 1980, essa banda realiza diversas performances em clubes da cidade. A banda faria a trilha do filme Downtown’81, escrito por Glenn O’Brien e dirigido por Edo Bertoglio.
  • Também em 1980, obras de Basquiat são expostas na coletiva The Times Square Show, e no ano seguinte, abre a primeira mostra só de seus trabalhos, na galeria Annina Nosei. Em dezembro de 1981, um artigo publicado na Artforum torna Basquiat conhecido internacionalmente. Esse é um dos períodos mais produtivos de Basquiat.
  • Algumas das peças de maior destaque da exposição que vem ao Brasil, como Hand Anatomy (Anatomia da Mão, 1982), Old Cars (Carros Velhos, 1981), Selfportrait (Autorretrato, 1981), Do not Revenge (Não se Vingue, 1982) e Loin (Lombo, 1982) foram produzidas nesse período. Muitos dos seus trabalhos foram pintados em portas, esquadrias de janelas e peças de madeira que ele achava pelas ruas.

1983-1988

  • Em 1982, Basquiat conhece Andy Warhol, de quem se torna amigo. Entre 1984 e 1985, eles trabalhariam em parceria em uma série de quadros. Do trabalho conjunto, o público brasileiro poderá ver Heart Attack (Infarto, 1984). Nesse período, Basquiat é um artista celebrado, disputado pelas galerias e com frequentes exposições internacionais.
  • Apesar do vício em heroína, sua produção se mantém. Em 1988, ano de sua morte, expôs em Paris (França) e em Dusseldorf (Alemanha). Entre os trabalhos desses anos, estará exposta no Brasil Rusting Red Car (Carro Vermelho Enferrujado, 1984).

SERVIÇO

Retrospectiva Jean-Michel Basquiat
Data: De 25 de Janeiro a 7 de Abril de 2018
Loca: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo, SP; acesso ao calçadão pelas estações Sé e São Bento do Metrô)
Visitação: De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h
Preço: Entrada gratuita
Mais informações: (11) 3113-3651/3652 e www.bb.com.br/cultura

(*Com informações Assessoria de Imprensa)

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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