2017: Definitivamente um excelente ano para ser fã de videogame

TEXTO: Rodrigo Bortoletto. FOTO: The Legend of Zelda: Breath of the Wild/Divulgação

Apesar das inúmeras turbulências políticas/econômicas que o Brasil passou em 2017, tem uma galera em específico que não tem do que reclamar: os fãs de jogos eletrônicos. Neste ano, tivemos o lançamento de dois hardwares novos – o que, por si só, já é notícia no mínimo excitante – e dezenas de títulos que já nascem com pedigree de clássicos, além de tornarem as famigeradas eleições de melhores do ano em um trabalho digno de Hércules.

No primeiro trimestre do ano, tivemos o lançamento da mais recente plataforma da nipônica Nintendo com seu Nintendo Switch, um console híbrido que chamou a atenção pela sua facilidade em passar de uso “em mesa” para o modo portátil. E se num primeiro momento os fantasmas do Wii U ainda assombravam as pessoas, bastaram oito meses para a Nintendo mostrar que não está para brincadeira.

Nintendo Switch: console híbrido (FOTO: Divulgação)

 

Com uma sequência de lançamentos exclusivos incríveis, somados a alguns ótimos “ports” de excelentes jogos para o Wii U e um suporte muito bom para jogos independentes (que casam perfeitamente com a mobilidade do videogame), a Nintendo viu o Switch sumir das prateleiras rapidinho e já dobrou a produção. Fora o lançamento do Super Nintendo Classic Edition, que, com 21 clássicos na memória por US$ 80, durou nas lojas o mesmo que uma avelã para um esquilo faminto.

E na reta final ainda teve fôlego para lançar um JRPG gigantesco (Xenoblade Chronicles 2) e versões próprias de favoritos dos fãs como o gigante Skyrim e Doom, este último a sensacional versão de 2016. Nada mal pra uma criança que sequer completou um ano, não é mesmo? E vale lembrar que, entre os destaques, dois jogos da plataforma concorrem entre si na maioria das listas de melhores pelo prêmio máximo de Jogo do Ano, The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey.

SONY

Por outro lado, a Sony começou o ano quentíssima com vários exclusivos bons como Nioh, Nier: Automata, Persona 5 e o aguardadíssimo Horizon: Zero Dawn. Teve um meio de ano meio apagado e uma E3 que eu particularmente achei fraca. Muitos anúncios em trailers, poucos jogos exclusivos com gameplay e um PSVR que a cada dia me lembra mais do (já esquecido pela empresa) PS Vita. E a maioria dos anúncios de exclusivos foi repetida da E3 de 2016, e isso é pouco empolgante.

Horizon: Zero Dawn, da Sony (FOTO: Divulgação)

 

O saco do Papai Noel da Sony também chega meio vazio: Gran Turismo é um dos poucos lançamentos exclusivos de peso do console, e boas expansões e DLCs para Uncharted 4 e Horizon: Zero Dawn. Aliás, nessa geração, acho que a Sony só vacilou na época de Natal: sempre priorizou remasters e lançamentos menores e deixa os jogos maiores para o começo do ano. Alguma questão com calendário fiscal para investidores ou uma estranha estratégia de marketing tendo em vista que essa é mundialmente temporada de compras? Não sei. Mas, todo final de ano tem sido decepcionante para fãs da plataforma da Sony.

A Playstation Experience (evento exclusivo da marca) deve trazer novidades pra mesa, mas é um evento que tipicamente privilegia anúncios futuros a lançamentos com datas fechadas próximas. Será que a Sony pode surpreender? Acho meio tarde para algo ainda em 2017 ou no primeiro trimestre de 2018, mas, tudo pode acontecer. E a Sony parece ter abraçado como nenhuma outra essa indústria da “hype”. Se funciona pra eles…

MICROSOFT

A outra gigante da indústria, a Microsoft, também lançou hardware novo e vem melhorando cada vez mais sua já forte infraestrutura online com upgrades e adição constante de serviços e funcionalidades. Começou o ano com o lançamento de Halo Wars 2, que injustamente pagou o preço do desapontamento pelo cancelamento de Scalebound. Teve uma E3 muito boa, mostrando muitos jogos e alguns ótimos exclusivos como a sequência de Ori and the Blind Forest, Sea of Thieves, Crackdown 3 e Tate of Decay 2, e anunciando o Xbox One X, nome definitivo do até então Project Scorpio.

Sea of Thieves, da Microsoft (FOTO: Divulgação)

 

Apesar da nuvem de fumaça que muita gente botou em cima do real apelo do console, seu lançamento mostrou que o videogame é mesmo uma máquina de respeito em termos de performance e engenharia. Lógico que para extrair o suco dessa fruta exótica e cara depende muito mais dos desenvolvedores acreditarem nele do que da própria Microsoft. Mas, acho que a galera que faz jogos irá abraçar. Se fizeram isso com o modesto upgrade da Sony (o PS4 Pro) não há porque não fazerem o mesmo na parruda máquina do Phil Spencer.

Fora o Xbox One X, teve anúncio de retrocompatibilidade com o primeiro Xbox, ainda mais títulos adicionados à retrocompatibilidade com o 360 e o programa Play Anywhere (que permite que a pessoa compre apenas uma cópia digital do jogo e possa usá-la tanto no console quanto no PC com Windows 10) e o lançamento do serviço Xbox Game Pass, que funciona como uma espécie de Netflix de jogos, mas que, ao contrário do serviço de filmes e séries, baixa os jogos e roda eles na própria máquina e não via streaming.

E pra fechar o ano, lançou o aclamadíssimo Cuphead, com uma arte absolutamente fantástica e um sempre forte título da série Forza para, inclusive, mostrar todo o poderio do Xbox One X. Forza Motorsport 7 roda nativamente em 4K e 60 quadros por segundo sem nenhum engasgo no novo console. De fato é impressionante. O ano da Microsoft só não foi melhor por conta de alguns cancelamentos e adiamentos, mas como ninguém é perfeito mesmo, foram extremamente consistentes com o plano que traçaram.

Independentemente de sua plataforma de escolha, 2018 promete ser um ano bacana, já que temos dezenas de bons jogos anunciados e, livre de novos hardwares, a competição será somente naquilo que mais interessa, os jogos em si.

E que venha 2018!

*RODRIGO BORTOLETTO é um dos colaboradores da Caverna POP e sabe tudo de videogames.
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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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