Games para entrar no clima de Assassinato no Expresso do Oriente

TEXTO: Rodrigo Bortoletto*

A estreia da nova versão cinematográfica de Assassinato no Expresso do Oriente, filme de Kenneth Branagh baseado no clássico de Agatha Christie, acontece nesta quinta-feira (30/11/2017). A Caverna POP aproveita e traz alguns bons jogos envolvendo investigações e mistério para você entrar no clima. Apesar de sabermos que muitos jogos na linha de terror e de terror/sobrevivência envolvam mistérios e elementos de investigação, iremos excluir dessa abordagem para focarmos mais naqueles que fazem desses quesitos seu tema principal. Também tentaremos focar em jogos um pouco mais recentes afim de facilitar o eventual acesso de quem por ventura se interessar.

  • Título: HEAVY RAIN (foto acima)
  • Estúdio: Quantic Dream para a Sony Computer Entertainment
  • Plataforma: PS3/PS4
  • Ano de Lançamento: 2010 – ganhou uma versão remasterizada para o PS4 em 2016

Esse título exclusivo para os consoles da Sony foi aclamado pela crítica por ter uma história envolvente e na qual as ações do jogador realmente mudam os rumos da narrativa. Nele você controla diversos personagens da história, enquanto tenta desvendar a identidade de um assassino em série conhecido como Origami Killer por deixar as famosas figuras feitas em papel nas cenas do crime.

O jogo é uma mistura de “point & click” com “quick time events” nas cenas de ação. Apesar da história ser bem desenvolvida, a jogabilidade acabou comprometendo as notas finais por não se mostrar muito precisa, em especial porque, na época, a Sony ainda apostava em controles por movimento. Ambas as versões são encontradas por preços bem baixos e, para quem não é muito amigo de controles complexos, a estrutura de “apontar e clicar” pode ajudar bastante na adaptação e jogabilidade.

L.A. Noire (CRÉDITO: Divulgação)

 

  • Título: L.A. NOIRE
  • Estúdio: Team Bondi para a Rockstar Games
  • Plataforma: PS3/Xbox 360/PC/PS4/Xbox One/Nintendo Switch
  • Ano de Lançamento: 2011 – ganhou uma versões remasterizadas em 2017

A Rockstar, conhecida pelas incríveis franquias GTA e Red Dead Redemption, lançou em 2011 esse inovador título multiplataforma. Ambientado na Los Angeles da década de 1940, você controla o então policial Cole Phelps (vivido pelo ator Aaron Staton) e tem como objetivo viver toda a sua carreira e jornada pelos diversos depertamentos e cargos da polícia de L.A.

O jogo apresenta diversos elementos em sua jogabilidade como tiro em terceira pessoa, investigação e partes de perseguições automobilisticas. Tudo ambientado com muito cuidado, como já é de se esperar de um título da Rockstar.

O jogo introduziu uma impressionante técnica de captura de expressões faciais que, quase sete anos após seu lançamento, ainda impressiona. Essa técnica foi especialmente desenvolvida para a natureza investigativa do jogo, afim de que o jogador possa detectar se a pessoa está mentindo ou dizendo a verdade por meio de suas expressões.

Este mês o game ganhou versões rematerizadas para os consoles de última geração (PS4/Xbox One), uma versão também remasterizada para PCs, além de um port para o Nintendo Switch. O jogo teve boa recepção por parte da crítica, mas não vendeu tanto em seu primeiro lançamento, em especial por ter menos ação em suas mecânicas.

Life is Strange (CRÉDITO: Divulgação)

 

  • Título: LIFE IS STRANGE
  • Estúdio: Dontnod Entertainment para a Square Enix (Consoles e PC) & Feral Interactive (OSX/Linux)
  • Plataforma: PS3/PS4/Xbox 360/Xbox One/PC/MAC/Linux
  • Ano de Lançamento: 2015

O jeito mais fácil de classificar Life is Strange seria como um seriado interativo, apesar de ser um jogo. Digo isso porque é muito mais uma experiência passiva, na qual o jogador mais acompanha uma história e interage basicamente em tomadas de decisões, do que controlando todas as ações da personagem.

A história narra os acontecimentos que cercam a volta da estudante Max Caulfield à sua cidade de origem, a pequena e litôrania Arcadia Bay, no Oregon (EUA). Durante sua chegada, Max presencia um tornado que está prestes a destruir a cidade e, ao mesmo tempo, descobre um dom que a permite voltar no tempo e alterar algumas ações, o tal “efeito borboleta”.

E a partir dessa premissa o jogador deve decidir em quais momentos intervir quando acontecem situações como bullying, assédio, conflitos domésticos etc. A partir dessas escolhas, a história irá se moldar e os destinos dos personagens acabam sendo alterados, alguns de forma permanente. O tema principal está na amizade entre Max e Chole (sua melhor amiga de infância) e o desaparecimento misterioso da estudante Rachel, que “ocupou a vaga” de Max como melhor amiga de Chole até seu retorno.

O jogo foi originalmente lançado em formato episódico e já ganhou uma sequência em forma de “prequel” neste ano de 2017 com o subtítulo Before the Storm. É um jogo que traz uma excelente narrativa, personagens bem construídos, uma história cativante e uma trilha sonora em perfeita sintonia com a ambientação do jogo.

Quem gosta ou gostava da série Twin Peaks vai curtir demais esse jogo. Foi uma das melhores narrativas que experienciei no mundo dos videogames nos últimos anos, mesmo achando que a parte “jogo de videogame” tenha sido de deixada de lado, na minha opinião. Ainda assim, prefiro o estilo desse jogo aos da Telltale, que investem demais em sequência de “quick time event”.

Thimbleweed Park (CRÉDITO: Divulgação)

 

  • Título: THIMBLEWEED PARK
  • Estúdio: Terrible Toybox
  • Plataforma: PS4/Xbox One/Nintendo Switch/PC/MAC/iOS/Android (a ser lançado)
  • Ano de Lançamento: 2017

Esse jogo se tornou realidade graças a uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo, e tem por trás de seu desenvolvimento as mentes criativas de Ron Gilbert e Gary Winnick, que criaram aquele que talvez seja o avô dos jogos de mistério e exploração, o clássico Maniac Mansion, além de The Secret Of Monkey Island e Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge.

Aliás, o jogo já deixa claro seu DNA logo de cara: trata-se de um adventure nos mesmos moldes de Maniac Mansion, com a ação rolando na parte superior da tela, enquanto na parte inferior ficam as ações do personagem como “abrir”, “pegar”, “mover” etc. Exatamente como nos clássicos adventures para PCs do final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. Até o estilo gráfico reproduz essa atmosfera retrô com pixel art “a la” 16 bits.

A trama, assim como em Life Is Strange, tem uma gigantesca influência da série Twin Peaks, só que com uma pitadinha de Arquivo X. O jogo foi amplamente aclamado pela mídia especializada, com resenhas recebendo notas altíssimas.

Então, se você era fã desse tipo de jogo na época do 386 ou 486, aqui está uma maneira de reviver esse tipo de experiência da maneira mais autêntica possível. E um bônus: o jogo tem versões até para dispositivos móveis (tablets e celulares) caso um videogame ou PC pra jogar não estejam nos seus planos para o Natal.

*RODRIGO BORTOLETTO é um dos colaboradores da Caverna POP e sabe tudo de videogames.
**Siga a Caverna POP no Facebook

Share this article

LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

Website Comments

Post a comment

Facebook Comments