A “dama do crime” da literatura mundial tem nome: Agatha Christie

TEXTO: Lisandra Suzuki*

Autores modernos de romances policiais e de suspense, como Jon Nesbo (Boneco de Neve), Paula Hawkins (A Garota no Trem) e Gilliam Flynn (Garota Exemplar), costumam lançar obras que garantem quase que imediatamente uma chance de ganhar adaptações cinematográficas. Entretanto, nos últimos anos, quase nada foi feito usando um material mais clássico e antigo de histórias detetivescas. Isso, é claro, até o anúncio da nova adaptação de Assassinato no Expresso do Oriente, que estreia nesta quinta-feira (30/11/2017) nos cinemas brasileiros e conta com um elenco estelar com nomes como Kenneth Branagh, Daisy Ridley e Johnny Depp. 

Elenco do novo Assassinato no Expresso do Oriente (CRÉDITO: Fox/Divulgação)

 

A mente brilhante por trás dessa famosa história é a escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976). Ao longo de sua carreira, escreveu cerca de 80 livros, quase todos do gênero policial, com os quais ganhou o apelido de “A Dama do Crime”. Neste post, vamos conhecer um pouco de sua vida, bastante incomum para uma mulher de sua época.

Agatha Christie nasceu em Setembro de 1890, em Torquay, Devon, Inglaterra, filha de pai americano e mãe inglesa. Aos 5 anos aprendeu a ler sozinha e já começava a escrever os primeiros poemas. Aos 20, decidiu se mudar para o Cairo, junto com sua mãe doente, onde se interessava muito mais pelos sítios arqueológicos locais do que pelos bailes da sociedade.

Foi durante os anos da Primeira Guerra Mundial que Agatha Christie começou a escrever histórias de detetive. Seu primeiro romance, O Misterioso Caso de Styles, surgiu nessa época e, após uma certa demora em conseguir ser aceito e publicado, chegou a receber uma resenha elogiosa na Pharmaceutical Journal, por ter descrito de maneira tão precisa o uso de venenos nos assassinatos. Junto com seu primeiro romance também nascia o mais famoso detetive da literatura de ficção, Hercule Poirot, inspirado nos belgas refugiados que se encontravam na Inglaterra durante os anos de guerra.

O fim da década de 1920 foi difícil para Christie: sua querida mãe falecera e seu marido, o piloto de guerra Archie Christie, havia se apaixonado por outra mulher. Em uma noite de Dezembro, Christie simplesmente desapareceu, deixando sua filha aos cuidados da empregada. Após uma busca exaustiva que mobilizou o país inteiro, Christie foi encontrada no Hotel Arrogate, onde se hospedara com outro nome, e, aparentemente, não se lembrava de nada, nem reconhecia seu marido. Mesmo após sua recuperação, a escritora jamais comentou sobre esse incidente com ninguém, nem mesmo com a família e amigos.

Agatha Christie (CRÉDITO: Divulgação)

 

Necessitando de dinheiro e recém-divorciada, Christie se viu forçada a produzir mais histórias (Os Quatro Grandes e O Mistério do Trem Azul são desse período). Dessa época difícil surgiu seu primeiro romance fora do gênero policial, Giant’s Bread, que publicou sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Entretanto, não demorou muito para a sorte mudar: após fazer amizade com a família Woolley, que trabalhava no sítio arqueológico de Ur (cidade da antiga Mesopotâmia), Christie conheceu seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan.

Foi durante a rotina de viagens acompanhando o marido no Expresso do Oriente, que ligava Londres ao sítio arqueológico, que Christie teve seu período mais produtivo, do qual saíram obras claramente inspiradas nesse momento, como Morte No Nilo, Encontro com a Morte, Aventura em Bagdá e, claro, seu livro mais famoso, Assassinato no Expresso do Oriente.

A Segunda Guerra fez com que Max tivesse de ir trabalhar como intérprete, enquanto Christie permanecia em Londres, ajudando como voluntária no hospital universitário. Foi outro período produtivo da autora, onde publicou clássicos como O Caso dos Dez Negrinhos/E Não Sobrou Nenhum e Um Corpo na Biblioteca. Só após o fim da Guerra e com o retorno do marido que Christie se permitiu desacelerar o ritmo, no qual decidiu se dedicar a roteiros teatrais e mais histórias com o antigo pseudônimo de Mary Westmacott.

A última aparição pública de Christie foi em 1974, na noite de estreia da primeira versão cinematográfica de Assassinato no Expresso do Oriente, com o ator Albert Finney no papel de Hercule Poirot – sua única queixa com relação ao filme foi que o famoso bigode do detetive não era voluptuoso o suficiente. Faleceu de causas naturais em 1976.

ADAPTAÇÕES

Mais de 80 adaptações das obras de Christie foram feitas para cinema, teatro e TV, sobretudo baseadas nos romances com Hercule Poirot e Miss Marple, a velhinha solteirona extremamente astuta que resolve os crimes somente usando seus conhecimentos da natureza humana.

O legado extenso de Christie também garantiu à escritora dois recordes no Guiness Book: o de autora mais vendida no mundo e o de autora da peça teatral com maior tempo em exibição (A Ratoeira, que estreou em 1974 no Teatro Ambassador, em Londres, e que continua em cartaz até hoje). Merecidos, não?

*LISANDRA SUZUKI é bióloga formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora da Caverna POP.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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