Clube da Amizade: a importância de lembrar e ser lembrado

FOTO: Orlando Kissner/Fotos Públicas

A primeira quinta-feira após o pagamento é sagrada para as integrantes do Clube da Amizade. É dia de reunião. Não é nada formal, vale destacar, uma vez que o clube em si não é uma instituição constituída em cartório ou algo do gênero. É, como o nome sugere, um encontro de amigas, no caso, de funcionárias públicas aposentadas de Campinas, ligadas à Secretaria de Estado da Educação.

São diretoras, professoras e secretárias que fazem questão de manter os laços fraternos e celebrar a importância de lembrar e ser lembrado, o que não é pouco em um mundo cada vez mais impessoal e de amizades virtuais.

A cada ano há um revezamento na função de coordenar os encontros, ou seja, escolher um lugar e reservar as mesas. Mas, como já foi dito acima, nada formal. Geralmente, as reuniões ocorrem na Confeitaria Romana, no bairro Cambuí; na choperia Giovannetti, ao lado do Paço Municipal; ou no City Tortas, na Avenida Júlio de Mesquita. As informações sobre e local e horário são passadas por telefone e, para garantir que não ocorra um desencontro de informações ou que ninguém seja esquecido, o Clube da Amizade criou uma “corrente” de telefonemas.

Assim, Ditinha liga para Imaculada, Luizamélia e Lucy. Imaculada telefona para Marina e Teresa. Luizamélia avisa Conceição, Ivone e Maria Célia. Já Lucy se encarrega de chamar Cidinha, Cleide e Helena. Marina é o elo com Edwiges e Leoni, enquanto Conceição faz sua parte ao ligar para Terezinha Quaiote. A tarefa de Ivone é avisar Maria Ilda e Oxide, e a de Maria Célia é chamar Helly. Helena liga para Laura, Bia e Sarita. E, finalmente, Maria Ilda telefona para Zuleica. Guardadas as devidas proporções, é quase um poema de Drummond.

 

Os encontros geralmente começam às 16h, sem delongas. É chegar, sentar, fazer seu pedido para o garçom e partir para o bom o velho bate-papo, ou seja, contar as novidades, celebrar o nascimento de netos (ou a entrada deles na faculdade), lamentar a perda de alguma pessoa da família e até cumprimentar quem faz aniversário (a lista com os telefones das integrantes do Clube da Amizade também traz a data de nascimento de cada uma).

Convidadas são bem-vindas, sejam elas acompanhantes ou, quem sabe, futuras participantes do clube. Sim, todas querem manter viva essa tradição que ninguém sabe exatamente quando começou – com certeza há mais de 20 anos – mas que se inspirou num clube similar formado na década de 1980 por diretores da rede estadual de ensino, contam as mais antigas. Afinal, é uma celebração à amizade, independentemente dos caminhos que a vida de cada uma toma.

Em tempo: uma vez por ano o Clube da Amizade troca o tradicional encontro vespertino por um almoço. No caso, um almoço de Natal. Porém, uma coisa não muda: é sempre na primeira quinta-feira de Dezembro após o pagamento da aposentadoria.

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LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

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