Florença: onde a tradição em papelaria resiste à modernidade

FOTOS: Lalá Ruiz

Um das coisas que me chamou a atenção durante uma viagem a Florença, a mais importante cidade da Toscana, na Itália, foi o grande número de papelarias. Não me refiro àquelas tradicionais, onde vende-se material de escritório, mas sim a tipografias, casas dedicadas à fabricação e ao comércio de marcadores de livros, blocos e envelopes artesanais, entre outros itens. É uma arte que sobrevive ao avanço tecnológico e encanta os olhos do visitante. Para quem não resiste a uma bela gravura ou a um delicado papel de carta, é quase impossível não dedicar preciosos momentos à exploração dessas lojas e gastar alguns preciosos euros na aquisição de verdadeiros tesouros.

lala-ruiz-florenca-02

Eu, por exemplo, trouxe comigo, além de inúmeros marcadores de livros para presentear família e amigos, um conjunto de Carte de Giocco (o popular baralho) ricamente ilustrado com reproduções de gravuras de Jacques Callot (1592-1635). O artista barroco francês morou em Florença de 1612 a 1621, e chegou a trabalhar para a dinastia Medici, proeminente família que governou a então cidade-estado por séculos e era conhecida não apenas pelo apoio às artes mas principalmente pelas tramoias políticas.

Iacopo, como era chamado por lá (os italianos têm o curioso hábito de traduzir nomes próprios), era um notável gravurista e artista gráfico, conhecido por retratar soldados, palhaços, bêbados e ciganos, entre outros personagens da época, de forma grotesca e exagerada, um estilo de traço que o aproxima dos atuais caricaturistas. Seu legado também inclui retratos da cidade, da vida na corte e imagens religiosas.

O jogo de 54 cartas com as gravuras de Callot foi um achado entre as tantas descobertas que Florença proporciona. O baralho custa, em média, 18 euros. Guardo o meu com muito carinho. Para quem se interessou, segue um breve guia de charmosas livrarias e papelarias fiorentinas, onde é possível comprar não apenas delicados souvenires, como também verdadeiras obras de artes (mas, para tanto, é preciso abrir a carteira, pois uma gravura pode custar até 3 mil euros):

Parione
Via Dello Studio, 11r, fone +39 055 21 56 84
Site: www.parione.it

Libreria Antiquaria O. Gozzini
Via Ricasoli, 49-103r, fone +39 055 21 24 33
Site: www.gozzini.it

L’Arte dei Ciompi
Via De’Cerretani, 18r, fone +39 339 891 0460
Facebook www.facebook.com/ARTE.DEI.CIOMPI.FIRENZE

Babele Arte Libri Eventi
Via delle Belle Donne, 41r, fone +39.055.283312
Site: www.babelefirenze.com

Share this article

LALÁ RUIZ, jornalista, curiosa e apaixonada por cultura, comida e viagens, sem qualquer coerência no quesito preferência. Nascida em São Paulo, Capital, e radicada em Campinas, interior paulista, formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e trabalhou durante 26 anos na mídia impressa da cidade, tendo atuado nos jornais Correio Popular, Diário do Povo e Notícia Já.

Website Comments

Post a comment

Facebook Comments